Resolvi falar um pouco (muito pouco mesmo!) sobre o atual conhecimento sobre a biodiversidade, principalmente de animais. Se vocês procurarem no livro didático, vão encontrar um dado interessante: calcula-se que um milhão de espécies de animais já são conhecidas e já receberam uma descrição formal (clique aqui para ver como é de fato uma descrição científica de uma espécie), mas também estima-se que haja na verdade até cem milhões delas. Mesmo assim, pouca gente consegue assimilar essa informação. A maioria de nós não se dá conta de como há seres diferentes no mundo, cada um com sua beleza, seu papel ecológico muitas vezes único, sua história evolutiva que nunca mais vai ser repetida e, às vezes, até mesmo um grande valor econômico. Mas eu não vou começar a falar de Conservação agora (fica pra outra postagem).
O que eu quero mesmo é mostrar para vocês que, mesmo com toda a tecnologia que nós temos para observar e interpretar o mundo, muitos detalhes acabam passando. Algumas vezes, esses detalhes têm quase um metro e meio, como é o caso do celacanto, um tipo de peixe considerado primitivo. Conta-se que esse animal já era conhecido por povos nativos africanos, mas a ciência só o conheceu em 1939, dando a ele o nome de Latimeria chalumnae. Naquele tempo foi uma descoberta e tanto, porque os peixes mais parecidos com o celacanto já tinham batido as botas, sobrando apenas os fósseis. Mas o mais impressionante foi que, em 1999, uma outra espécie de celacanto foi descrita, recebendo o nome de L. menadoensis. Por que nesses sessenta anos, com todo o desenvolvimento da tecnologia de exploração do oceano (principalmente por causa de guerras), ninguém encontrou esse bicho antes?

O oceano é muito grande e chegar lá no fundo é bem difícil. Mas existem casos, também recentes, de macacos e aves sendo encontrados em vários lugares do mundo. E olha que são os grupos animais mais conhecidos de todos! Numa reportagem do portal Terra encontrei um relato interessante de espécies novas sendo encontradas em apenas duas expedições realizadas na Amazônia pelo INPA. Além de quatro aves novas e um macaco, encontraram várias plantas e insetos desconhecidos. Abaixo vocês veem a foto de uma dessas aves e outra de uma espécie de planária terrestre muito bonita. Para saber mais, leia a reportagem clicando aqui.


Outra bem legal que eu vi hoje no último número da Superinteressante foi a de um pequeno tubarão chamado Etmopterus spinax. O que é louco neste caso não é que a espécie seja nova. Na verdade, eles são conhecidos há tanto tempo que o próprio Lineu (não, não é o da TV) foi quem descreveu a espécie. A revista estava noticiando, porém, que cientistas europeus descobriram que esses bichos têm na barriga um monte de fotóforos, o que significa que produzem luz, bioluminescência. A única coisa que me decepcionou foi que, pesquisando na Internet, descobri que a notícia não é nova e já existem até vários trabalhos explicando como acontece a produção de luz no bicho. Bom, hoje fico por aqui. Além desses casos que eu falei, vocês conseguem achar muitos outros pesquisando na Internet. Aliás, vocês conseguem achar qualquer coisa. Bom proveito.