Agora que a primeira parte do resumo já está pronta, por que não fazer a segunda? Aqui vai o conteúdo da aula do dia 13/9 (que vai ser daqui a pouco enquanto eu escrevo). Então, mantenham o livro do Amabis aí do lado, aberto na página 326, porque agora nós vamos rever os filos Nematelminthes, Mollusca e Annelida.
- Nematelmintos: Têm sistema digestório completo, diferentemente dos filos que já vimos antes. Este filo tão diverso inclui uma enorme quantidade de vermes parasitas de plantas e animais e uma quantidade ainda maior de vermes de vida livre que vivem no solo se alimentando de detritos. Devido a essa alimentação, que não exige um processo de digestão muito complexo, um tubo digestório simples dá conta de extrair os nutrientes necessários para esse animais. A boca é seguida por uma faringe musculosa capaz de empurrar o alimento para dentro do intestino. Não existem nesses animais as grandes glândulas presentes em seres mais evoluídos, tais como as salivares, o fígado e o pâncreas. Ao chegar no intestino, porém, o alimento é misturado com enzimas digestivas produzidas por minúsculas glândulas presentes em todo o órgão. Essas enzimas iniciam a digestão extracelular, soltando partículas pequenas de alimento que podem ser fagocitadas por outras células do intestino, que fazem a digestão intracelular. Aí vocês já começam a perceber a repetição, porque é a mesma coisa que acontece com os platelmintos e cnidários. E o que acontece com os nutrientes simples (aminoácidos, monossacarídeos etc.) que resultam dessa digestão? São difundidos para o líquido que preenche o pseudoceloma (lembram do pseudoceloma?). Esse líquido está em contato com todos os outros tecidos do corpo do nematelminto, então os nutrientes chegam bem rápido ao destino.
- Moluscos: Têm sistema digestório completo, como todos os outros filos que veremos a partir daqui. A "novidade evolutiva" deste filo é que o sistema digestório é composto por vários órgãos especializados em desempenhar funções diferentes no processo de digerir, além de ter várias glândulas anexas. Essas glândulas são, principalmente: glândulas salivares para lubrificar o alimento; bolsas no esôfago que produzem enzimas digestórias; hepatopâncreas, que produz a maior parte das enzimas diestórias e ainda tem várias outras funções, como armazenar glicogênio. Entre as estruturas especializadas encontradas nos moluscos, podemos citar rádula, cavidade bucal, faringe, papo, esôfago, estômago e intestino. De um modo geral, podemos dizer que a aliumentação dos moluscos começa com a raspagem e deglutição do alimento, feitas pela rádula com o auxílio da saliva vinda das glândulas salivares. O alimento pode ir para um papo, onde é armazenado por um tempo, sendo empurrado depois para o esôfago, onde pode receber alguma quantidade de enzimas digestivas. Já no estômago, recebe a maior parte das enzimas digestivas, vindas de glândulas como o hepatopâncreas, sendo parcialemente digerido. A partir deste momento, coisas diferentes podem acontecer, de acordo com a espécie do molusco. Para saber mais, procure pelos trechos escritos em vermelho logo abaixo.
Os moluscos podem não ter a mesma quantidade de espécies que os nematelmintes, segundo as estimativas da ciência, mas são com certeza muito mais diversos do ponto de vista da anatomia. Por isso, vou falar um pouco sobre as classes de moluscos e suas diferenças importantes do ponto de vista da alimentação. As principais classes de moluscos são:
- Classe Bivalvia, composta por seres cuja concha tem duas metades, como os mariscos e ostras. Vivem em água doce ou salgada. Alguns até nadar um pouco. Capturam seu alimento, que consiste em plâncton e pequenos detritos, por filtração. Ou seja, ao movientarem a água através de suas brânquias, o alimento fica preso nelas e depois é capturado pela boca. Tanto a boca quanto as brânquias ficam na cavidade do manto, ou seja, um espaço cheio de água que fica dentro da concha, mas que tem contato com o meio externo através de dois funis chamados sifão inalante e sifão exalante. Sua digestão segue mais ou menos o padrão descrito acima, mas sem a ação da rádula, pois ela não existe nos bivalves. Mais adiante, assim que o alimento semi-digerido deixa o estômago, ele entra pelos ductos do hepatopâncreas e a digestão acaba lá dentro, intracelularmente. Os nutrientes são então distribuídos para o resto do corpo pelo sistema circulatório, que é aberto. Os restos não digeridos voltam do hepatopâncreas para o estômago e de lá para o intestino, que apenas lança as fezes para fora, ou seja, dentro da cavidade do manto.
- Classe Gastropoda, que inclui seres com uma concha espiralada ou nenhuma concha, mas que sempre possuem um "pé" musculoso e cheio de muco sobre o qual se arrastam. Podem viver em água salgada ou doce ou na terra. Geralmente se alimentam raspando com a rádula a matéria orgânica presente em rochas ou cascas de árvores, como musgos ou fungos. No entanto, alguns são predadores assaz vorazes, como os nudibrânquios. Aliás, para quem nunca ouviu falar de nudibrânquios, vejam a foto do bicho colorido que eu coloquei aí em baixo. Viram como eles são bonitos? Tem muita gente que vai ver esses bichos nos corais da Malásia (quem tem muita grana, óbvio). Os gastrópodes também têm uma cavidade do manto, mas não possuem sifões inalante e exalante. O processo de digestão, após a passagem pelo estômago, segue o modelo dos bivalves.
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| Nudibrânquio. |
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| Caramujo africano que virou praga no Brasil. |
- Classe Cephalopoda, que representa os moluscos considerados mais evoluídos, dos quais os mais famosos são a lula e o polvo. Possuem vários tentáculos que parecem sair diretamente da cabeça, que usam para nadar e agarrar. A musculatura do manto bombeia água para dentro através do sifão inalante e para fora através do sifão exalante, gerando uma propulsão significativa. Todos vivem no mar. Sua alimentação é diferente da maioria dos outros moluscos. Com suas mandíbulas de quitina, rasgam o alimento. Com sua rádula, o engolem. Os cefalópodes são predadores e precisam de muito mais agilidade e controle motor do que os outros moluscos. Por isso, desenvolveram um sistema circulatório mais eficiente e também uma visão aguçada e um cérebro considerável que permite que movimentem todos os tentáculos de maneira precisa e independente. Diferentemente dos bivalves e gastrópodos, os cefalópodos não realizam digestão intracelular. Portanto, são os primeiros entre os animais que estudamos até agora que só realizam digestão extracelular. O alimento pacialmente digerido que sai do estômago entra para o ceco gástrico, que nada mais é que um tipo de bolsa onde as enzimas continuarão atuando sobre o alimento até que esteja completamente digerido (até onde for possível). O próprio ceco gástrico absorve os nutrientes e lança-os na corrente sanguínea, que é do tipo fechado. Se sobrar alguma coisa não digerida, essa coisa vai ser eliminada pelo intestino dentro da cavidade do manto.
- Anelídeos: Têm sistema digestório completo. Apesar de terem partes especializadas (faringe, papo, moela, intestino com tiflosole, cecos intestinais), não tem grandes glândulas anexas. Portanto, os anelídeos têm o sistema digestório um pouco menos complexo do que o dos moluscos, visto agora há pouco. Tomando como exemplo as minhocas, poderíamos dizer que os anelídeos se alimentam principalmente de partes de plantas que já começaram a se decompor, além de outros tipos de matéria orgânica em decomposição e pequenos organismos vivos ou mortos. Vale dizer aqui que esse hábito alimentar das minhocas é importantíssimo do ponto de vista ecológico, porque elas aceleram bastante a decomposição da matéria orgânica, reciclando mais rápido os nutrientes e permitindo que as plantas vivas os reaproveitem melhor. Além disso, por engolirem obrigatoriamente a terra durante a captura de alimento, elas deixam a terra aerada e fofa, o que também favorece o desenvolvimento dos vegetais. A terra, contendo os alimentos, entra pela boca e é empurrada pelos músculos da faringe, chegando ao papo, onde é lubrificada com secreções. A terra vai gradualmente transbordando para a moela, que tem músculos fortes para apertar seu conteúdo até o alimento ser triturado pelo atrito com as partículas de areia da terra. No intestino, aparecem finalmente as enzimas digestivas, atuando sobre as pequenas partículas de alimento, que são bem mais fáceis de degradas. A partir do trigésimo seguimento do corpo da minhoca, o intestino tem uma prega dorsal chamada de tiflosole, que acreditamos servir para aumentar a superfície de contato com o alimento. Nessa parte do intestino é que ocorre a absorção dos nutrientes, que já estão completamente digeridos. Não existe digestão intracelular nos anelídeos. A distribuição dos alimentos é providenciada por um sistema circulatório fechado. Na altura do trigésimo segmento também existem duas bolsas laterais, os cecos intestinais, que são como expansões do intestino. Nelas os nutrientes podem entrar e ser absorvidos mais facilmente. Parece que elas não têm outra função. Os restos não digeridos, bem como uma grande quantidade de terra, são eliminados pelo ânus. Montes de fezes de minhoca são chamados de humus e são um ótimo adubo natural. Na página 354 do livro há uma figura que ilustra perfeitamente tudo o que foi falado.








